domingo, fevereiro 19, 2006

A toalha do Diogo.

O nevoeiro misturava-se com os nossos corpos. O frio acomodava-se à nossa volta como se de um velho conhecido se tratasse. Era tempo de passar pela porta automática da piscina, pelos torniquetes e em máxima rotação nos dedicarmos a mais uma aula de natação. Uma aula de natação tão normal, tão exigente, tão molhada como sempre. Atrevo-me a dizer que os quarenta e cinco minutos passaram de forma subtil sem grande tumulto. Mal sabíamos nós que estávamos perante um dia sinistro. Foi tempo de voltar ao balneário onde a rouca voz de Diogo, destroçado por mais uma das injustiças da vida, suplicava por ajuda. Pedia então que lhe devolvessem a toalha. A sua mais que tudo, toalha. As súplicas soavam também a um pedido para algum ser superior. Era constrangedor como alguém podia ter feito algo tão desumano. Mesmo assim, Diogo, tentou mostrar a sua força interior e pensar que tudo não passava de uma brincadeira. Infelizmente, os minutos passaram e a desilusão apoderou-se da sua mente. A toalha estava então condenada a não ver mais o seu dono, e o seu dono estava condenado a não ver mais a sua toalha. Ainda assim, na nossa mente ficou a ideia que algo indescritível se passou. Provavelmente algum ser vindo de outro mundo passou para o lado dos comuns mortais, através de uma porta mágica, e abraçou a toalha do Diogo e nunca mais a largou. Não saberia esse ser de todo o amor que Diogo nutria pela toalha. Não sabia que ambos tinham um contacto muito próximo partilhando a mesma água, partilhando o mesmo material capilar e provocou aí uma tremenda injustiça. Estava aí quebrada uma ligação que empobreceu o homem e por isso nos merece todo o repúdio. Só podemos lamentar o sucedido e pensar que a toalha um dia ainda aparecerá. Mas o negativismo apoderou-se de Diogo e tal como no exterior da piscina, o nevoeiro e o frio preenchendo agora o seu coração que sangra lentamente por um laço de fraternidade que se quebrou. Houve uma parte dele que se perdeu e dificilmente voltará, mas que o persegue nessa matriz complexa de sentimentos que é a sua alma. Descansa em paz, toalha do Diogo.

6 Comments:

At fevereiro 19, 2006 1:10 p.m., Blogger JoaoP said...

LOL! Granda maluco... Ficou mm mt fx.
Vá, isto é um assunto sério.
Óh Diogo, já pensaste em ir aos perdidos/achados? Há sempre a possibilidade d tar por la...

 
At fevereiro 19, 2006 2:22 p.m., Anonymous Anónimo said...

Vai à recepção e pergunta pela felicidade. :x

 
At fevereiro 19, 2006 6:07 p.m., Blogger Angela said...

Libertem a toalha!!!

 
At fevereiro 19, 2006 9:51 p.m., Anonymous Anónimo said...

uazante mi muhahhahahahhahahhahahahahhahahahahhahahahahaahha

 
At fevereiro 20, 2006 9:00 p.m., Blogger Nuno said...

Tudo está bem quando acaba bem!
A paz regressa às nossas vidas, e a tranquilidade instala-se.

 
At março 07, 2006 12:00 a.m., Blogger SuperNuno said...

R.I.P toalha do Diogo!

 

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